quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Lá na rodoviária das Cajazeiras, surgia o Elemental

Como pode, um pobre infantil que sou, tentar percorrer o vasto sertão do meu Ceará e encontrar com algo tão espetacular? Não sei explicar esse astucioso tempo combativo de modorra que eu atrevi-me. Vou alimentando esperanças pré e pós a viagem, como alguém que se alimenta apenas de emoções, ocasionadas pelo imprescindível agora.
A rodoviária de Cajazeiras é um "Cortiço", uns temperos de misturas humanas, as quais ninguém espera saber o que pensa em cada ser daqueles. Desde a loira metida a trigueira até a velha monologante com a estátua de Pe. Cícero. Para passar o tempo daquele local, transcendia com espera da volta aconchegante das divagações...
Eu fui lá, fiquei num hotel apertado, com meu pai, cujo orgulho-me do zero ao meu limite, onde havia um banheiro desmerecedor. Entretanto, não posso me dedicar a falar de um outro "Cortiço" e esquecer dessa bela cidade, pequena e tão ventilada quanto agradável. Até parece com minha Sobral, porém esta não tem ventos...
Dá para imaginar que aquela tem coisas que minha cidade não tem no momento? Não é só o sotaque esquisito, apenas agradável nas mulheres, trata-se da coca-cola de 500ml e um mini-shopping. Embora dizendo tudo isso, o que mais me agradou na cidade não foram essas baboseiras materialistas, foi o que eu vi na rodoviária: O torvelinho inaugurou um insólito momento, que eu nem ligava se estava vivo ou morto, estava a apreciar a beleza da natureza. Os outros eram apenas figurantes levantando-se das cadeiras, e eu estava a ver o espetáculo da criação, assistindo, desde o início, às rebanadas de ventos. E de lá, houve a consumação cinzenta de um Aracati revolto, pois o tornando formou-se na minha frente. O baldio era apenas um prologamento de um pião encorpado, e a centelha fazia-se da fluidez lótica, pelos eucaliptos arrebentados, a minha recepção.

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