sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Acerto de contas

João era um senhor carente como você, e todos nós; já estava idoso e não tinha casado. Trabalhava como pedreiro e tinha dinheiro apenas para colocar um prato de comida na mesa. Para suprir sua carência conseguiu pelas suas andanças um sapo cururu para criá-lo como um animal doméstico.

O bicho ficara gordo e bem cuidado, pois João tratava-o como parte de si mesmo. Sem dúvidas, o cururu tornou-se um animal sagrado para o velho. Ele dava banho, alimentava e brincava com o mesmo para passar a cansada velhice.

Belarmino Pereira Homem, esse foi o nome dado ao sapo. João dotou o bicho de uma certa importância e afetividade incomparável. Entretanto, João não suspeitava dos males que surgia em sua pele. Eram umas feridas feias que também causavam dor. Certamente, o culpado de tudo era o sapo.

O preto Samuel era um doido que andava pelas ruas e em uma das suas inconsequências chutou o Belarmino matando o animal. Pronto, João queria matar o preto. Foi uma dificuldade tremenda para segurar o velho João, que já estava com a bala engatilhada. No entanto, as feridas de João começaram a sarar e o convencimento de que as coisas não acontecem à toa começaram a dominar sua mente.

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